Etapas do funil de vendas: modelo, critérios e métricas
As etapas do funil de vendas, o critério pra passar de uma pra outra, a métrica de cada etapa e um modelo de 6 etapas pronto pra copiar no seu CRM.
Guilherme Augusto · Smart² MKT DIGITAL
· 13 min de leitura

Neste artigo
Resumo rápido
- As etapas do funil de vendas são os passos da oportunidade do primeiro contato até a venda, terminando em ganho ou perdido.
- O nome de cada etapa importa pouco; o que faz o funil funcionar é o critério de passagem e a métrica de cada uma.
- Abaixo, o modelo de 6 etapas pra copiar, os critérios de saída, as métricas por etapa, variações por negócio e como montar no CRM.
As etapas do funil de vendas são os passos que uma oportunidade percorre do primeiro contato até a venda: em geral, lead novo, primeiro contato, qualificação, apresentação, proposta e negociação, terminando em ganho ou perdido. O nome de cada etapa importa pouco. O que faz o funil funcionar é o critério de passagem (o que precisa ser verdade pra o negócio avançar) e a métrica que você olha em cada uma.
Pense na Clínica Bem Viver, que vende pacotes de fisioterapia. No quadro dela havia "Interessado", "Quente" e "Quase fechando". Cada recepcionista entendia uma coisa, o mesmo paciente ficava três semanas em "Quente" e ninguém sabia dizer onde as vendas se perdiam. Trocar os nomes não resolveu. O que resolveu foi escrever, pra cada etapa, o que tem que ter acontecido pra o paciente estar ali.
Abaixo: o que é cada etapa (e como ela se encaixa no topo, meio e fundo de funil), um modelo de 6 etapas pra copiar, os critérios de passagem, as métricas por etapa, variações por tipo de negócio, os erros mais comuns e como montar tudo isso num CRM.
O que é cada etapa do funil
Existem dois funis que costumam ser confundidos, e as duas leituras estão certas:
- O funil de marketing fala de momento de consciência: topo (a pessoa descobre que tem um problema), meio (considera soluções) e fundo (decide de quem comprar). Serve pra planejar conteúdo e anúncio.
- O funil de vendas fala de oportunidades reais, com nome e telefone, sendo trabalhadas por alguém. Cada etapa é um marco da negociação. Serve pra operar o comercial e prever receita.
Este guia é sobre o segundo. A ponte entre os dois é simples: o topo e o meio do funil de marketing geram o lead; o funil de vendas começa quando esse lead entra em contato ou é abordado.
Uma regra separa etapa boa de etapa ruim: cada etapa deve representar uma decisão ou um avanço do cliente, não uma tarefa sua. "Ligar pro cliente" é tarefa. "Proposta em análise" é marco: o cliente recebeu e está decidindo. Quando o funil vira lista de afazeres, ninguém o mantém atualizado e o relatório para de dizer a verdade.
Modelo com 6 etapas
Este é um modelo de funil de vendas que serve pra maioria das empresas que vendem serviço, plano, matrícula ou produto de valor médio a alto, com venda que leva mais de uma conversa. Copie, troque os nomes pela língua do seu time e ajuste depois de um mês de uso.
| # | Etapa | O que significa | Critério pra entrar |
|---|---|---|---|
| 1 | Lead novo | Chegou alguém com interesse, ninguém falou com ele ainda | Contato identificado (nome e telefone ou e-mail) e um pedido: orçamento, informação, agendamento |
| 2 | Primeiro contato | O time respondeu e a conversa começou | A pessoa respondeu pelo menos uma vez |
| 3 | Qualificado | Tem a necessidade que você resolve e condição de comprar | As perguntas de qualificação foram respondidas e batem com o seu perfil de cliente |
| 4 | Apresentação | Vai ver ou já viu a solução de perto | Reunião, visita, demonstração ou aula experimental marcada com data |
| 5 | Proposta em análise | Recebeu preço e condições e está decidindo | Proposta enviada e recebida (o cliente confirmou que viu) |
| 6 | Negociação | Quer fechar, falta acertar algum ponto | O cliente pediu ajuste de preço, prazo, forma de pagamento ou escopo |
| ✓ | Ganho | Comprou | Pagamento, contrato assinado ou matrícula feita |
| ✗ | Perdido | Não vai comprar agora | Recusou, sumiu depois das tentativas combinadas ou não tem perfil, com o motivo registrado |
Por que seis e não doze: etapa demais vira burocracia, o vendedor arrasta o cartão sem pensar e metade das colunas fica vazia. Se duas etapas sempre acontecem juntas no seu processo, elas são uma só. Venda simples pode ficar com quatro (lead novo, qualificado, proposta, negociação). Venda longa, B2B, pode precisar de mais uma ou duas, como você vai ver nas variações abaixo.
Critério de passagem entre etapas
O critério de passagem é a frase que responde "o que precisa ser verdade pra este negócio estar nesta etapa?". Sem ele, cada pessoa do time usa o próprio termômetro, e o mesmo cliente é "quente" pra um e "frio" pra outro.
Três jeitos de escrever um bom critério:
- É um fato, não uma impressão. "Respondeu às três perguntas de qualificação" é fato. "Parece interessado" não é.
- Dá pra conferir olhando o registro. Quem abrir o negócio consegue ver a reunião marcada, a proposta anexada, a nota com as respostas.
- Depende do cliente. O avanço vem de algo que o cliente fez (respondeu, marcou, recebeu, pediu ajuste), não só de algo que você fez.
Critérios de saída que valem copiar
| Sai de | Pra | Quando |
|---|---|---|
| Lead novo | Primeiro contato | O cliente respondeu à primeira mensagem ou atendeu a ligação |
| Primeiro contato | Qualificado | Você sabe o que ele precisa, pra quando, quem decide e se o seu preço cabe |
| Qualificado | Apresentação | Existe data marcada pra reunião, visita, demonstração ou experiência |
| Apresentação | Proposta em análise | A apresentação aconteceu e a proposta foi enviada |
| Proposta em análise | Negociação | O cliente voltou com um pedido concreto de ajuste |
| Negociação | Ganho | Pagou, assinou ou matriculou |
| Qualquer etapa | Perdido | Recusou, não tem perfil ou não respondeu depois do número de tentativas que o time combinou |
As perguntas de qualificação
A passagem pra Qualificado é a que mais pesa, porque é a que separa quem vai receber tempo de vendedor. Quatro perguntas cobrem a maioria dos negócios:
- Necessidade: o que a pessoa quer resolver, com as palavras dela.
- Prazo: pra quando ela precisa.
- Decisão: quem mais participa da compra.
- Orçamento: se o valor da sua solução está dentro do que ela pode pagar.
Quem conhece os métodos de vendas vai reconhecer aqui uma versão simplificada do BANT (orçamento, autoridade, necessidade e prazo, na sigla em inglês). Não precisa decorar sigla: precisa ter as respostas anotadas no negócio.
Métricas por etapa
Cada etapa responde uma pergunta diferente. Olhar só o total de vendas do mês esconde onde está o problema.
As quatro métricas de toda etapa
| Métrica | Como calcular | O que ela mostra |
|---|---|---|
| Entradas | Quantos negócios chegaram na etapa no período | Se o problema é falta de volume |
| Taxa de passagem | Negócios que avançaram ÷ negócios que entraram na etapa | Onde o funil estreita |
| Tempo na etapa | Média (ou mediana) de dias entre entrar e sair | Qual passo está travando |
| Parados | Negócios abertos há mais de X dias na mesma etapa | O que vai morrer sem follow-up |
A taxa de passagem é a mais útil das quatro. Um exemplo fictício: se 100 leads entram, 60 respondem, 30 se qualificam, 20 fazem apresentação, 15 recebem proposta e 6 fecham, a queda maior está entre primeiro contato e qualificado (de 60 pra 30). Investir em mais anúncio, nesse caso, só aumenta o volume que se perde ali. Melhorar a qualificação multiplica o que já entra.
O que olhar em cada etapa
| Etapa | Pergunta que a métrica responde | Onde costuma estar o problema |
|---|---|---|
| Lead novo | Quanto tempo o lead espera a primeira resposta? | Demora pra responder, lead sem dono |
| Primeiro contato | Quantos respondem? | Abordagem fraca, contato errado, horário ruim |
| Qualificado | Quantos têm perfil? | Anúncio atraindo o público errado |
| Apresentação | Quantos comparecem? | Falta de confirmação e lembrete |
| Proposta em análise | Quantos respondem à proposta? | Follow-up que não acontece |
| Negociação | Quantos fecham? | Preço, condição de pagamento, concorrente |
As métricas do funil inteiro
- Taxa de ganho: negócios ganhos ÷ (ganhos + perdidos) no período.
- Ciclo de venda: tempo entre a criação do negócio e o ganho. A mediana engana menos que a média, porque um negócio que levou um ano não distorce a conta.
- Ticket médio: valor total ganho ÷ número de negócios ganhos.
- Valor em aberto: quanto há em jogo agora, somando os negócios abertos.
- Motivo de perda: por que se perde, contado por motivo. É o dado mais acionável do funil, e o único que não dá pra recuperar depois: ou foi registrado na hora, ou se perdeu.
Variações por tipo de negócio
O modelo de 6 etapas é o ponto de partida. Três variações comuns:
Venda com agendamento (clínica, estúdio, escola, academia). A etapa de apresentação vira agendado e ganha uma irmã: compareceu. A métrica que mais importa é a taxa de comparecimento, e o que mais muda o resultado é a confirmação na véspera.
Venda B2B (serviço pra empresas, software, indústria). Entram etapas de diagnóstico antes da proposta e de aprovação interna (jurídico, compras, diretoria) depois dela. Muitas empresas separam o funil em dois: um de pré-venda, que só qualifica, e outro de vendas, que recebe o lead já qualificado. Nesse caso, cuidado pra não contar a mesma oportunidade duas vezes no resultado.
Venda rápida (loja, delivery, produto de ticket baixo). A pessoa pergunta o preço, compra e some. Aqui funil com seis etapas vira burocracia: três (atendimento, carrinho ou pedido, pago) e um bom relatório de atendimento resolvem melhor.
Erros comuns ao montar as etapas
- Etapa que é tarefa. "Ligar", "mandar e-mail", "cobrar resposta" são tarefas com prazo, não colunas.
- Etapas sem descrição. Se o critério não está escrito no próprio CRM, ele não existe.
- Pular a qualificação. Mandar proposta pra todo mundo infla a etapa de proposta e derruba a taxa de ganho.
- Negócio que nunca é fechado como perdido. O funil enche de cartões mortos e o valor em aberto vira ficção.
- Perder sem motivo. "Outros" em metade das perdas é o mesmo que não ter relatório de perdas.
- Mover no fim do dia. Acumular movimentações estraga o tempo por etapa e atrasa tudo que depende do movimento.
- Um funil pra cada vendedor. Se o processo é o mesmo, o funil é um só; vendedor, região e plano são filtros.
Como montar o funil no CRM
Planilha e quadro de cartões aguentam o começo. Quando o time passa de duas pessoas, ou quando a venda depende de follow-up, o funil precisa morar num CRM, ligado ao contato e à conversa. Os passos valem pra qualquer sistema; no fim de cada um, onde fica no app.smart.
- Crie um funil do tipo vendas. No app.smart: Config. › CRM › Pipelines. O tipo Vendas já traz as etapas finais Ganho e Perdido. Se você tem pré-venda, existe o tipo Qualificação, que fica fora da receita pra não contar a venda duas vezes.
- Cadastre as 6 etapas com descrição. Na aba Etapas e Dados, cada etapa tem nome e descrição. É na descrição que mora o critério de entrada da tabela acima.
- Cadastre os motivos de perda antes de usar. Aba Motivos de Perda e Ganho. Cinco a oito motivos que o time entende: preço, concorrente, prazo, sem perfil, sem resposta. Ao fechar um negócio na mão, o app pede o motivo.
- Transforme o critério em regra. Na aba Config de Etapa, dá pra exigir ações obrigatórias antes de o negócio sair de uma etapa (um campo preenchido, um checklist, uma tarefa concluída, um anexo como a proposta), configurar alerta de negócio parado e restringir pra quais etapas ele pode ir. É o critério de passagem saindo do papel. Detalhes no manual de ações obrigatórias por etapa.
- Automatize o que se repete. Na aba Automações, gatilhos como "negócio entra na etapa" ou "tempo na etapa maior que X horas" criam tarefa, avisam o responsável ou mandam mensagem. O follow-up da proposta deixa de depender de alguém lembrar.
- Leia o relatório toda semana. O relatório do funil mostra quantos estão em cada etapa, quanto avança de uma pra outra, a idade média de quem está parado e, numa frase, onde está a maior perda.
Como o funil do app.smart é a mesma base do atendimento, o negócio nasce de dentro da conversa do WhatsApp, do Instagram ou do chat do site, já com o contato, o histórico e a origem (o anúncio ou a UTM de onde a pessoa veio). É o que deixa a métrica de cada etapa ser cruzada com a campanha que trouxe o lead. Se você ainda está escolhendo o sistema, o guia de CRM com WhatsApp traz o checklist do que olhar.
Quer ver o seu funil montado com as suas etapas, critérios e automações? Conheça o funil de vendas do app.smart ou agende uma demonstração.
Perguntas frequentes
Quais são as etapas do funil de vendas?
Um modelo que serve pra maioria das empresas tem seis etapas abertas: lead novo, primeiro contato, qualificado, apresentação, proposta em análise e negociação. Depois delas vêm as duas finais, ganho e perdido. No funil de marketing, as etapas são topo, meio e fundo.
Qual a diferença entre topo, meio e fundo de funil e as etapas do funil de vendas?
Topo, meio e fundo descrevem o momento de consciência do público e servem pra planejar conteúdo e anúncio. As etapas do funil de vendas descrevem oportunidades reais, com nome e telefone, sendo trabalhadas pelo time, e servem pra operar o comercial e prever receita.
Quantas etapas um funil de vendas deve ter?
Entre quatro e sete etapas abertas costuma bastar, mais as finais de ganho e perdido. Venda rápida pede menos; venda B2B, com aprovação interna do cliente, pede mais. Se duas etapas sempre acontecem juntas, junte as duas.
O que é critério de passagem no funil de vendas?
É a condição que precisa ser verdade pra o negócio avançar de uma etapa pra outra, escrita como fato que dá pra conferir. Exemplo: um negócio só entra em "proposta em análise" quando a proposta foi enviada e o cliente confirmou que recebeu.
Quais métricas acompanhar em cada etapa do funil?
Em toda etapa: quantos negócios entram, quantos avançam (taxa de passagem), quanto tempo ficam e quantos estão parados. No funil inteiro: taxa de ganho, ciclo de venda, ticket médio, valor em aberto e motivos de perda.
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Quem escreve
Guilherme Augusto
Smart² MKT DIGITAL
Opera marketing digital, tráfego pago e vendas no WhatsApp pra dezenas de negócios brasileiros. Compartilha aqui o que aprende no dia a dia rodando campanhas e implantando CRM.
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